Ararinha-azul ganha novo plano de conservação que prevê soltura na natureza até 2021

Ave é considerada provavelmente extinta na natureza. Existem menos de 200 ararinhas-azuis no mundo, todas fora do seu habitat natural. Contrato para repatriação das espécies já foi assinado

Pouco mais de 20 anos após ser vista pela última vez na Bahia, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) deve voltar a bater as asas em seu habitat natural até 2021.

Nesta semana, o governo federal publicou a portaria que contém as diretrizes do segundo ciclo do Plano de Ação para conservar a espécie. Entre elas, está a soltura de exemplares de ararinha-azul, que deverá acontecer até 2021. O contrato para repatriação das aves já foi assinado, em junho deste ano.

A ararinha-azul é considerada criticamente ameaçada de extinção (CR), e provavelmente extinta na natureza (PEW) – isso porque ela não é vista no ambiente desde os anos 2000.

Além dela, o Brasil possui outros três tipos de araras-azuis, todas sob algum nível de ameaça de conservação: arara-azul-pequena, possivelmente extinta; arara-azul-de-lear, em perigo crítico de extinção; e a arara-azul-grande, que está vulnerável.

A ararinha-azul ficou famosa com o personagem de animação Blue, no filme Rio. Mas, ao contrário do que mostram as imagens do longa, a espécie é endêmica da caatinga e do sertão baiano e pernambucano. Ela sumiu na natureza após ser alvo constante do tráfico de aves e, hoje, só existe em cativeiro.

Ao todo são 167 ararinhas-azuis catalogadas e registradas em todo o mundo, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Destas, 147 estão na Alemanha, 2 na Bélgica, 4 em Singapura e 14 no Brasil.

“A ararinha-azul é uma das espécies símbolo da necessidade de conservação da biodiversidade. Ela é mais uma das espécies de vertebrado mais retiradas da natureza e dizimadas no seu ambiente natural. Nosso esforço é para que 50 ararinhas-azuis venham para o Brasil. Todas elas da Alemanha”, afirma Camile Lugarini, do ICMBio em Juazeiro.

 

"Duzentos anos após a descoberta da espécie por von Spix estamos aguardando a vinda das ararinhas-azuis no segundo semestre de 2019, para o lugar de onde nunca deveria ter sido extirpada e, até 2021, esperamos ter as ararinhas voando na caatinga baiana."

As aves virão da Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), um viveiro legalizado e voltado à preservação destas aves.

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